Discovery Channel - Viciados em petróleo // Dublado

Por: Thomas L. Friedman
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A MALDIÇÃO DO PETRÓLEO


Thomas L. Friedman “O mundo é plano”

Nada contribuiu mais para retardar o surgimento de um ambiente democrático em lugares como a Venezuela, 3 Nigéria, a Arábia Saudita e o Irã do que a maldição do petróleo. Enquanto os monarcas e ditadores que dirigem esses estados petrolíferos puderem enriquecer expiorando seus recursos naturais - - em vez de explorar os talentos e a energia naturais de seu povo — serão capazes de eternizar-se no poder. Podem usar o dinheiro do petróleo para monopolizar todos os instru-mentos do poder: o exército, a polícia e os órgãos de informação, e jamais precisam introduzir a verdadeira transparência ou a partilha do poder. Tudo o que têm a fazer é tomar posse da torneira do petróleo e conservá-la para eles. Nunca precisam criar impostos para seus povos, e por isso o relacionamento entre governantes e governados fica altamen-le distorcido. Sem taxação não há representação. Os governantes na verdade não precisam dar atenção ao povo nem explicar de que forma estão gastando seu dinheiro, porque o dinheiro não veio dos impostos. Por isso os países que se concentram em seus poços de petróleo sempre têm instiuições débeis ou inexistentes. Os países que se concentram em seus povos precisam desenvolver verdadeiras instituições, direitos de proprie-dade, império da lei, tribunais independentes, educação moderna, comércio exterior, investimento estrangeiro, liberdade de pensamento e pesquisa científica, a fim de obter o máximo de seus homens e mulheres. Num ensaio no Foreign Affairs intitulado "Saving Iraq rrom Its Oil" (Salvando o Iraque de seu petróleo), de julho-agosto de 2004), os economistas especializados em desenvolvimento Nancy Birdsall e Arvind Subramanian mostram que "34 países menos desenvolvidos hoje em dia possuem recursos significativos de petróleo e gás, que constituem pelo menos 30% de sua receita total de exportação. Apesar de sua riqueza, no entanto, em 12 desses países a renda per capita anual permanece abaixo de 1.500 dólares, (...) Além disso, dois terços desses 34 países não são democráticos, e dentre os que o são, somente três estão classificados na metade superior da tabela de liberdades políticas compilada pela Freedom House".


Em outras palavras, a imaginação é também filha da necessidade: quando o contexto no qual se vive simplesmente não permite que a pessoa se dedique a fantasias escapistas ou radicais, elas não o fazem. Vejamos onde 3 inovação mais criativa está ocorrendo agora no mundo árabe-muçulmano: nos lugares onde há pouco ou nenhum petróleo. Como indiquei anteriormente, o Barein foi o primeiro país do Golfo Árabe a descobrir petróleo, e foi também o primeiro onde o petróleo se esgotou. Atualmente, é o primeiro estado árabe a fazer reformas traba-lhistas abrangentes a fim de desenvolver a capacidade de seus próprios operários, o primeiro a assinar um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos e o primeiro a realizar uma eleição lívre e honesta, na qual as mulheres têm direito de candidatar-se e votar. E quantos países na mesma região se encontram paralisados ou na verdade revertendo as reformas? A Arábia Saudita e o Irã, inundados de dinheiro do petróleo. Em 9 de dezembro de 2004, numa época em que os preços do petróleo haviam subido a cerca de 50 dólares o barril, a revista The Econotnist publicou um relatório especial sobre o Irã, no qual observava: "Sem o petróleo aos preços elevados de hoje, a economia iraniana estaria cm maus lençóis. O petróleo fornece cerca de metade das receitas do governo e pelo menos 80% dos ingressos da exportação. Porém, novamente sob a influência de fanáticos no Parlamento, o dinheiro do petróleo está sendo usado para financiar subsídios perdulários em vez de desenvolvimento e novas tecnologias altamente necessárias."

Vale a pena notar que a Jordânia começou a levantar o nível de seu sistema educativo e a privatizar, modernizar e desregular sua economia a partir de 1989 — exatamente quando os preços do petróleo eram baixos e o país já não podia contar com doações dos estados do Golfo produtores de petróleo. Em 1999- quando a Jordânia assinou seu tratado de livre-comércio com os Estados Unidos, suas exportações para esse país totalizaram 13 milhões de dólares. Em 2004, a Jordânia exportou mais de l bilhão de dólares em mercadorias para os Estados Unidos -- produtos fabricados pelos jordanianos. O governo da Jordânia também instalou computadores e Internet de banda larga em todas as escolas. Ainda mais importante, em 2004 a Jordânia anunciou uma reforma exigindo bom aproveitamento escolar dos líderes de orações nas mesquitas. Tra-dicionalmente, os estudantes de ensino médio da Jordânia tinham de fazer um exame para entrar na universidade, e os mais bem-sucedidos se tomav,im médicos ou engenheiros. Os de piores notas iam ser líderes de orações nas mesquitas. Em 2004 a Jordânia resolveu instituir gradual-mente um novo sistema. Daqui em diante, para ser líder de orações, o jovem terá primeiro de obter um grau de bacharel em outra matéria, e somente estudar a lei islâmica em nível de graduação, a fim de que um número maior de jovens talentosos entre para o clero e para afastar os que seguiam a carreira religiosa por haverem fracassado nas outras. Essa é uma importante modificação de contexto que dará frutos ao longo do tempo nas narrativas que os jovens jordanianos ouvem em suas mesquitas. "Foi preciso que passássemos por uma crise para aceitar a necessidade de reforma", disse o ministro do Planejamento da Jordânia, Bassem Awadallah.

Não existe melhor mãe para as invenções do que a necessidade, e os líderes do Oriente Médio somente farão reformas quando os preços de-crescentes do petróleo os obrigarem a mudar seus contextos. As pessoas não mudam por ouvirem conselhos para fazê-lo. Mudam quando se convencem de que é preciso. Como diz o professor de assuntos interna-cionais da johns Hopkins, Michael Mandelbaum: "As pessoas não mu-dam quando dizemos a elas que existe uma opção melhor. Mudam quando concluem que não têm outra opção." Se me derem o barril de petróleo a 10 dólares, eu lhes darei reformas políticas e econômicas de Moscou a Riad e ao Irã. Se os Estados Unidos e seus aliados não colaborarem para baixar o preço do petróleo cru, suas aspirações de reformas em todas essas áreas nascerão mortas.

Há outro fator a considerar neste debate. Quando para prosperar é prenso fazer coisas com as próprias mãos e em seguida comerciar com os demais, em vez de furar um poço de petróleo no quintal, isso inevita-velmente amplia a imaginação e aumenta a tolerância e a confiança. Não por acaso os países muçulmanos representam 20% da população mundial, mas somente 4% do comércio do planeta. Quando os países fabricam coisas que ninguém mais deseja, comerciam menos, e menos comércio significa menos troca de idéias e menos abertura para o mundo. As cidades mais abertas e mais tolerantes do mundo muçulmano hoje em dia são os centros de comércio: Beirute, Istambul, Jacarta, Du-bai e Barein. As cidades mais abertas e tolerantes da China são Hong Kong e Xangai. As mais fechadas do mundo estão na Arábia Saudita central, onde os cristãos, hinduístas, judeus ou outros não-muçulmanos não podem expressar em público suas convicções religiosas nem construir um lugar de culto, e no caso de Meca nem sequer podem entrar. As religiões refinam e dão fundamento à imaginação. Quanto mais a imaginacao de qualquer religião - - hinduísta, crista, judaica, muçulmana ou budista -- se forma numa bolha isolada, ou numa caverna escura, mais probabilidade terá essa imaginação de partir em direções perigosas. As pessoas conectadas com o mundo e expostas a diferentes culturas e perspectivas têm muito mais probabilidade de desenvolver a imaginação do 9/11. Os que se sentem desconectados, para os quais a liberdade pessoal e a realização constituem fantasia utópica, têm mais probabilidade de desenvolver a imaginação do 11/9.

Clipe Liberdade

Como formar um empreendedor (PNL)

Lauren Bradway, Ph.D

B. J. Pinchbeck, conhecido pelos amigos como "Bege", é um típico jovem de 14 anos. Seus hobbies incluem andar de skate, jogar "paintball" com seu pai e surfar na Internet. Mas, ao contrário da maioria dos jovens de 14 anos, Bege foi visto no Good Morning America e no Oprah, foi entrevistado pelo New York Times e pelo Boston Globe, e é o webmaster do seu próprio site chamado de B.J. Pinchbeck's Homework Helper (B.J. Pinchbeck - o ajudante dos temas de casa).

Em abril de 1996, respondendo a um chamado para "ajudar as crianças a conseguirem fazer seus temas mais facilmente", Bege recrutou o pai, Bruce, para desenvolver uma página na web. Bege queria que as crianças fossem capazes de satisfazer as necessidades dos seus temas de casa em um único lugar e "não terem que surfar por toda web para descobrir links educacionais realmente bons". Seu site contém 625 links para sites educacionais que cobrem tópicos de inglês, história, matemática e eventos recentes, e cada um deles inteiramente pesquisado pelo próprio Bege.

O resultado da sua visão tem sido fenomenal. BJPinchbeck.com recebe de 5 a 6.000 visitantes todos os dias e de 20 a 40 mensagens de e-mail que são respondidas pessoalmente por Bege e seu pai.


Numa entrevista com Bege e seu pai, eu perguntei ao Bruce como os pais podem encorajar seus filhos a se tornarem empreendedores. Ele me disse que acredita que o segredo dele foi nunca ter tratado seus filhos como crianças. Com isto ele quer dizer que ele "os fez sentir que podiam fazer qualquer coisa que quisessem". Ele também fez o possível para "atrair a atenção deles quando estavam receptivos e reconhecia a hora em que recuar parecia ser o melhor".

Minha própria história

Tendo crescido durante os anos 50, vivendo com meus avós numa pequena cidade no Missouri, sonhando em ser Brenda Star (heroína de revista em quadrinhos surgida em 1940), decidi "publicar" um jornal de bairro. Felizmente meus avós pareciam saber exatamente o que fazer para encorajar uma empresária prestes a florescer.

Meu avô providenciou o básico: papel, caneta e um vidro de cola. Um canto da mesa da cozinha se tornou minha escrivaninha e, durante o resto do verão, nós só comemos no outro canto da mesa para que o meu "escritório" permanecesse inalterado. Minha avó veio com a idéia para meu primeiro artigo. Quando eu perguntei "Sobre o que eu escrevo?", ela me disse: "Que tal sobre o tamanho dos tomates do jardim do Sr. Miller? Eu nunca vi tomates daquele tamanho".

No dia seguinte eu estava entregando de porta em porta as "Notícias da Vizinhança", vendendo cada um por um centavo e com a manchete "Os tomates do Sr. Miller - os maiores até hoje!"

Eu tive meu primeiro emprego com 16 anos e foi como editora da comunidade do jornal da minha cidade, o Moberly Monitor Index. Com a idade de 35, eu vendi meu primeiro livro. Eu credito as minhas habilidades de escrever e da arte da venda ao estímulo dos meus dois avós.

Como os pais podem ajudar

As pesquisas mostram que os empreendedores têm certas características que não são encontradas na população em geral. Eles são pensadores independentes, criativos, auto-reflexivos e tendem a aceitar riscos. Você pode desenvolver essas mesmas características nos seus filhos pela maneira com que você interage com eles. Aqui vão algumas sugestões:



■ Apóie os hobbies e os interesses do seu filho, ao mesmo tempo em que você permite que ele perca o interesse por algo sem se sentir culpado. Lembre-se que aprender o que você não gosta de fazer é tão importante quanto aprender do que você gosta.


■ Encoraje-os a que se exponham a certos riscos. Quando a sua filha expressar interesse em aprender a tocar guitarra, mas apresenta todos os sinais de que não é capaz de reconhecer uma nota musical, proponha que ela tente de qualquer maneira.


■ Tenha certeza de que seu filho ou filha tem bastante tempo para sonhar de olhos abertos. Forneça jornais e revistas para ficarem informados sobre opiniões, conceitos e idéias.


■ Providencie para que seu filho leia biografias de famosos empresários e inventores como Thomas Edison, Henry Ford e Bill Gates.


■ Cuide para falar palavras positivas para seu filho. A auto-estima deles aumenta ao ouvir afirmações como "Você está repleto de boas idéias" e "Eu sei que você pode imaginar como fazer isto".


■ Encoraje-os a expressar a opinião deles sobre eventos atuais mesmo que você não concorde com eles.


■ Mostre a seu filho como pesquisar assuntos na biblioteca e na Internet.


■ Sugira aulas de arte no verão sobre cerâmica ou desenho para estimular a criatividade.


■ Visite uma mostra de artesanato para ver, na prática, como uma idéia criativa pode ser desenvolvida e apresentada.

Provavelmente não é nenhuma surpresa que o jovem empresário B.J.Pinchbeck ainda esteja sonhando. Como adulto, ele gostaria de administrar um hotel onde teria um computador em cada quarto. Desse modo, seus hóspedes poderiam permanecer em contato pessoal com o concierge para terem suas necessidades satisfeitas.

Lauren Bradway, Ph.D. é autora do livro: How to Maximize Your Child´s Learning Ability,

O artigo "How to Raise an Entrepreneur" encontra-se no site Helping Children Grow.

No Brasil o livro está à venda na Livraria Cultura

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Diogo Costa: Legalização das drogas

Enquete

O que é responsável pela MAIOR “democratização digital“ no Brasil?


Contrabando; Livre-Mercado (MADE IN FEIRA)



Governo; Justiça Social (impostos)


O Direito de Formar Cartéis


Rodrigo Constantino

“Uma ação de cartel, se ela for voluntária, não pode agredir a liberdade de competição e, se ela se provar rentável, ela beneficia em vez de prejudicar os consumidores.” (Rothbard)

O princípio básico de uma economia de livre mercado é que todas as trocas serão voluntárias, i.e., cada agente poderá decidir o que comprar ou vender livre de impedimentos como ameaça ou uso de violência. Com esta premissa em mente, o economista Rothbard desenvolve em Man, Economy and State uma defesa do direito de se criar cartéis. Caso os acordos de cooperação entre firmas sejam totalmente voluntários, este tipo de organização não estaria ferindo o princípio de livre mercado. Rothbard argumenta ainda que dificilmente esses cartéis sobrevivem se forem ineficientes do ponto de vista da satisfação da demanda dos consumidores.


Conforme ele explica, se os consumidores realmente se opusessem às ações de cartel, considerando que as trocas resultantes delas fossem prejudiciais, eles poderiam boicotar os cartéis de forma a tornar a curva de demanda de seus produtos elástica, ou seja, sensível aos preços de mercado. Ninguém é obrigado a consumir determinados produtos, e há um preço em que certamente é preferível abdicar do consumo ou procurar substitutos. Claro que os consumidores sempre preferem um preço menor. Mas Rothbard pergunta: Isso quer dizer que o preço ideal é zero, ou perto de zero, para todos os bens, porque isso representaria o mais elevado grau de sacrifício dos produtores aos desejos dos consumidores? Enquanto consumidor, todos preferem sempre o menor preço para suas compras; e enquanto produtor, todos preferem o maior preço para suas vendas. Existem apenas duas formas de resolver esse dilema: através do livre mercado, onde os preços são determinados livremente pelos indivíduos; ou pela intervenção violenta no mercado, ignorando os direitos de propriedade.

Sendo o cartel uma formação voluntária, não há porque classificá-lo, portanto, como imoral. Tampouco é possível afirmar a priori que seu resultado será prejudicial aos consumidores. Mesmo no caso extremo onde há restrição de oferta, quando um cartel chega a queimar parte de seu estoque para elevar os preços, pode-se argumentar que os consumidores permanecem livres para evitar tal ato, bastando para tanto comprar o produto no preço ofertado. Se os consumidores realmente desejam evitar o ato, eles podem praticar a filantropia por conta própria, comprando o estoque e distribuindo. Se não o fazem, é porque julgam que seus recursos escassos possuem destino melhor, e continuam, portanto, mais satisfeitos mesmo com a queima do estoque. Aliás, a queima de estoque nesse caso não é tão diferente de uma indústria que mantém suas máquinas ociosas, deixando de produzir no total de sua capacidade.

Sempre que se fala em cartel supõe-se algum tipo de conspiração. Mas Rothbard afirma que existe, na verdade, uma co-operação para elevar a renda dos produtores. Sendo assim, não haveria uma diferença essencial entre um cartel e uma corporação comum ou uma parceria. Uma grande fusão, de fato, é apenas um cartel permanente. Por outro lado, um cartel que mantém por acordo voluntário a identidade separada de cada firma é sempre mais transitório. Em muitos casos, um cartel pode ser considerado uma tentativa na direção de uma fusão permanente.

Alguns criticam os cartéis com base no seu tamanho. Mas como Rothbard diz, não há meios precisos de se determinar um tamanho ótimo de uma firma em qualquer indústria. A função dos empresários será justamente projetar a demanda futura e os custos de produção, e aqueles mais bem-sucedidos irão permanecer no mercado. O prejuízo será o alerta de que o empresário está falhando em sua tarefa de atender a demanda dos consumidores de forma eficiente. Portanto, somente o livre mercado poderá responder qual o tamanho ótimo de uma firma, através do mecanismo de tentativa e erro. Nenhum economista pode calcular ex ante qual seria o tamanho adequado de uma empresa de forma a maximizar a satisfação dos consumidores. Somente estes podem dizer isso através de suas livres escolhas. Logo, não há garantia alguma de que um cartel, ou um grupo de empresas cooperando, será menos eficiente que inúmeras pequenas empresas isoladas. O único jeito de descobrir isso é permitindo o livre funcionamento do mercado, incluindo a liberdade de se unir para cooperar com outras firmas.

A experiência, contudo, mostra que o cartel é uma forma inerentemente instável de operação. Se a união de um grupo de empresas se mostrar eficiente no atendimento da demanda, ou seja, rentável para cada membro do cartel, então ele irá naturalmente levar a uma fusão. Por outro lado, se a ação conjunta se mostrar um fracasso, ou seja, apresentar prejuízo para seus membros, as firmas insatisfeitas irão abandonar o cartel. As cotas definidas dentro do cartel serão sempre arbitrárias, e sempre poderão ser questionadas por seus membros. Os mais eficientes dentro do cartel terão um forte incentivo a abandonar o grupo, pois estão sendo limitados pela ineficiência alheia. Eles poderiam estar ganhando fatia de mercado caso abandonassem o cartel. E há ainda outra força ameaçando constantemente o cartel, que vem de fora. Se o cartel consegue retornos “artificialmente” elevados por conta da restrição da produção, nada impede que produtores de fora entrem no mercado e tirem vantagem desses lucros extraordinários.

Alguém pode perguntar: O que impede então a formação de Um Grande Cartel? Na verdade, o próprio mercado impõe um limite ao tamanho da firma, por causa do problema de cálculo econômico. Para calcular os lucros e prejuízos de cada setor, a firma deve poder comparar suas operações internas com os mercados externos para cada dos vários fatores intermediários de produção. Quando esses mercados somem, sendo absorvidos dentro da empresa, o cálculo econômico desaparece, e não há como alocar racionalmente os recursos escassos para as áreas específicas. O Grande Cartel não teria como evitar grandes prejuízos. Por isso mesmo essa nunca seria uma escolha voluntária no livre mercado. O socialismo, no fundo, seria equivalente a este Grande Cartel, organizado e controlado compulsoriamente pelo Estado. O fato de que Um Grande Cartel nunca foi formado voluntariamente e que ele precisa de coerção do Estado para ser formado demonstra que ele não poderia ser o método mais eficiente para satisfazer as demandas dos consumidores.

Por fim, o fato de que o termo cartel desperta tanta reação negativa pode ter explicação em sua origem, já que no passado um monopólio ou cartel era garantido como um privilégio especial do Estado, reservando uma determinada área de produção para um grupo particular. A entrada de novos concorrentes era proibida pelo governo. No caso brasileiro, a Petrobrás foi um exemplo claro de um monopólio possível apenas pelo decreto estatal, e não por uma maior eficiência da empresa vis-à-vis as concorrentes. O mais famoso cartel do mundo, a OPEP, segue o mesmo caso. Ele é garantido pelos governos autoritários dos países produtores de petróleo, basicamente do Oriente Médio. Mas este tipo de cartel não tem nenhuma relação com o livre mercado. Pelo contrário: ele é fruto justamente da intervenção no mercado.

PS: Existem inúmeros exemplos de cartéis no mercado, e pode-se notar que os problemas surgem normalmente quando o governo impede a livre concorrência. A Ordem dos Advogados do Brasil é um caso típico de cartel, e não haveria problema algum nisso, caso houvesse liberdade no mercado. O perigo aparece quando o governo garante o monopólio legal da OAB, impedindo o funcionamento do livre mercado. Os sindicatos trabalhistas são também cartéis onde os trabalhadores se unem para garantir um poder de barganha maior frente ao empregador. O problema está na coerção que tais sindicatos fazem contra os não-membros, que aceitariam trabalhar com menos regalias. Quando tais sindicatos impedem através da ameaça violenta a livre competição, eles estão prejudicando os trabalhadores de forma geral. Novamente, a solução justa e eficiente está no livre mercado.

O poder do mercado



O "bem comum" justifica até o genocídio


"O secretário da Fazenda paulista, Mauro Ricardo Costa, afirmou ontem que achou "pouco" a condenação de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, a 94 anos e seis meses de prisão, e disse que quem sonega "deveria ser pregado na cruz"" (Veja aqui). Tornada realidade a declaração do nobre burocrata que vive dos impostos pagos pela iniciativa privada, não sobraria nem uma viva alma despregada da cruz neste país. Qualquer um que comprasse um dogão na esquina deveria ser pregado na cruz. Qualquer um que pagasse por uma pilha-palito no camelô deveria ser pregado na cruz. Claro, o secretário está defendendo o dele coberto pelo manto invencível do "bem comum", mas as maiores barbaridades da história aconteceram tendo justamente o "bem comum" como justificativa moral. Baixar os impostos que fazem o Brasil estar na rabeira da liberdade econômica e do desenvolvimento, nem pensar. Eles são destinados ao "bem comum", com os políticos e burocratas sendo meros instrumentos isentos de interesses próprios na sua distribuição. São santos benevolentes, madres Teresas que mostram pra esses ricos egoístas e gananciosos como é que se faz justiça social.

A virtude do egoísmo

Ayn Rand
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Num sentido popular, a palavra “egoísmo” é sinônimo de maldade: representa a imagem de um insensível e cruel assassino que passa por cima de pilhas de cadáveres para atingir os seus próprios fins, alguém que não se importa com qualquer ser humano e que tem como objetivo último a obtenção de gratificação pessoal com caprichos vãos num qualquer momento imediato.


Todavia, a definição mais exata da palavra “egoísmo” dada pelo o dicionário é: preocupação com os nossos próprios interesses. Esta definição não encerra uma avaliação moral: não nos diz se a preocupação com os nossos próprios interesses é algo bom ou mau; nem nos diz o que de fato constitui os interesses do homem. Cabe à ética responder a estas questões.



Como resposta, a ética do altruísmo criou a imagem do ser humano insensível, de forma a levar o homem a crer em dois princípios básicos: a) que, independentemente da sua natureza dos seus interesses, cuidar deles é algo mau e b) que a atividade do ser humano insensível é, de fato, o resultado do seu próprio interesse (ao qual o altruísmo nos impõe renunciar para o bem daqueles com quem convivemos).


Dando uma perspectiva da natureza do altruísmo, das suas consequências e da grandeza da corrupção moral a que dá origem, dou o exemplo do meu livro Atlas Shrugged – ou de qualquer cabeçalho da imprensa atual. O nosso foco de análise é as deficiências do altruísmo no domínio da teoria ética.

Há duas questões morais que o altruísmo agrupa num único “pacote”: 1) O que são valores? 2) Quem deveria ser o beneficiário dos valores? O altruísmo substitui a segunda questão pela primeira: escapa à tarefa de definir um código de valores morais, deixando, assim, o homem sem qualquer orientação moral.


O altruísmo defende que qualquer ação feita em benefício dos outros é boa e que qualquer ação feita em prol de interesses próprios é má. Deste modo, o beneficiário de uma ação é o único critério de valor moral – e desde que o beneficiário não seja o próprio agente da ação, tudo é aceitável.

Sob todas as variantes da ética altruísta se pode avaliar a terrível imoralidade, a injustiça crônica, o grotesco valor dos dois pesos e duas medidas, os conflitos e contradições insolúveis que caracterizaram as relações e sociedades humanas ao longo da história.


Observemos a indecência do que se passa hoje com os juízos morais. Um industrial que faça fortuna e um criminoso que assalte um banco são igualmente qualificados de imorais, uma vez que ambos procuram riqueza para o seu próprio benefício “egoísta”. Um jovem que desista da carreira de forma a sustentar os pais e nunca passe de um humilde empregado de mercearia é visto como moralmente superior àquele outro jovem que empreende a mais dura das lutas para concretizar a sua ambição pessoal. Um ditador é considerado moral, dado que as atrocidades indescritíveis que cometeu tiveram como objetivo beneficiar “o povo” e não a si mesmo.


Observemos agora as implicações deste critério de benefício da moralidade na vida do homem. A primeira é a conclusão de que a moralidade é sua inimiga, isto é, ele não tem nada a ganhar com isso, de fato só tem a perder: pode apenas esperar perda auto-infligida, dor auto-infligida e a cinzenta e

debilitante mortalha da dúvida incompreensível. Pode apenas esperar que outros ocasionalmente se sacrifiquem em seu benefício, tal como ele o faz a contragosto em relação a eles. Porém, ele sabe que essa relação trará ressentimento mútuo e não prazer – e que moralmente a busca de valores pelos dois será como que uma troca de presentes de Natal indesejados e não escolhidos, sendo que a que nenhum dois é moralmente permitido comprá-los para si próprio. Além dos momentos em que revela capacidade para desempenhar um ato de auto-sacrifício, este homem não possui qualquer significado moral: a moral não o reconhece e nada diz sobre os momentos cruciais da sua vida: é apenas a sua própria vida, “egoísta” e privada e como tal esses momentos são vistos como bons ou maus ou, na melhor das hipóteses, amorais.


Dado a natureza não atribuir ao homem formas automáticas de sobrevivência, uma vez que tem de se sustentar através do seu próprio esforço, a teoria de que a preocupação com os seus próprios interesses é má significa que o desejo de viver também é mau – que a vida humana, enquanto tal, é também má. Nenhuma teoria poderia ser mais cruel do que esta.


No entanto, este é o conceito do altruísmo, implícito na comparação entre o industrial e o assaltante de bancos. Há uma diferença fundamental entre um homem que vê a concretização dos seus próprios interesses na produção ou construção de algo e o outro que os tenta alcançar através de um assalto. A maldade de um assaltante não reside no fato de procurar satisfazer os seus interesses, mas no que considera serem os seus interesses; não no fato de desejar viver, mas no fato de desejar fazê-lo a um nível sub-humano.


Se é verdade que o meu conceito de “egoísmo” difere do que é comumente usado, então este é um dos piores erros do altruísmo: significa isto que o altruísmo não permite qualquer conceito de auto­respeito e auto-suficiência no homem, ou seja, um homem que se sustenta pelo seu próprio esforço sem se sacrificar a si mesmo ou aos outros. Significa também que o altruísmo não consente outra perspectiva do homem que não seja a de animal sacrificado e beneficiário do sacrifício dos outros, que não seja a de vítima e de parasita, e significa que não reconhece a idéia de coexistência benévola entre os homens nem


o conceito de justiça.


Se nos interrogarmos sobre as razões por detrás desta feia mistura de cinismo e culpa na qual a maioria dos homens constroem as suas vidas, concluímos que há cinismo porque eles nem praticam nem aceitam a moral altruísta; há culpa porque não se atrevem a rejeitar essa mesma moral.


Para nos revoltarmos contra tal mal devastador, temos que nos revoltar contra a sua premissa básica. De forma a redimirmos o homem e a moral, temos que redimir também o conceito de egoísmo.


O primeiro passo para que isso aconteça é o de reiterar o direito do homem a uma existência moral, isto é, reconhecer a sua necessidade de um código moral que o guie no decurso e concretização da sua própria vida.


[...] A razão pela qual o homem necessita de um código moral dir-nos-á que o objetivo da moralidade é o de definir os valores e interesses próprios do homem, que a preocupação com os seus próprios interesses é a essência de uma existência moral, e que o homem deve ser o beneficiário das suas próprias ações morais.


Dado que todos os valores devem ser conquistados ou mantidos pela ação do homem, qualquer ruptura ente agente e beneficiário dessa ação implica uma injustiça: o sacrifício de alguns em benefício de outros, dos agentes em benefício dos não agentes, do moral ao imoral. Nada poderia justificar tal ruptura nem alguém jamais o fez.


A escolha do beneficiário dos valores morais é apenas uma questão preliminar ou introdutória no domínio da moralidade. Não é um substituto da moralidade nem um critério de valor moral, como o altruísmo defende. Tão-pouco é um princípio moral fundamental: tem de resultar de e ser validado por

premissas essenciais de um sistema moral.


A ética objetivista defende que o agente tem de ser sempre o beneficiário da sua ação e que o homem deve agir em função dos seus próprios interesses racionais. Porém, este direito resulta da sua natureza de homem e da função dos valores morais na vida humana. Por isso, é apenas aplicável num contexto de código de valores racional e objetivamente demonstrado e validado, o qual define e determina o verdadeiro interesse próprio do homem. Não é uma autorização para fazer “o que lhe apetece” nem se aplica à visão altruísta do insensível cruel e “egoísta” nem a qualquer outro homem motivado por emoções irracionais, sentimentos, vontades súbitas ou caprichos.


Esta idéia é apresentada como um aviso contra o tipo de “egoístas nietzschianos”, que são efetivamente um produto da moral altruísta e representam o outro lado da moeda altruísta: aqueles que crêem que, independentemente da sua natureza, qualquer ação é boa se dirigida ao benefício do próprio agente, tal como a satisfação de desejos irracionais – quer de si próprio quer de si próprio quer dos outros


– não constitui critério de valor moral. A moralidade não é um concurso de caprichos.

O QUE A INDIA TEM DE TAO ESPECIAL?

O maior país muçulmano é a Indonésia, e o segundo não é a Arábia Saudita,nem a palestina, nem o Ira, o Egito ou o Paquistão. E a índia! Com cerca de 150 milhões de muçulmanos, os membros dessa religião são ali mais numerosos do que no Paquistão. Mas há uma estatística interessante não se conhecem muçulmanos indianos na al-Qaeda e não há indianos muçulmanos no campo norte-americano de prisioneiros na baía de Guantánamo. E também não foram encontrados muçulmanos indianos lutando ao lado dos jihadistas no Iraque. Por que será?

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— Vou lhe propor uma adivinhação: Qual é a única grande comunidade muçulmana que tem gozado de constante democracia durante os últimos cinquenta anos? Os muçulmanos da índia. Não vou exagerar a boa sorte dos muçulmanos neste país. Há tensões, discriminação económica e provocações, como a destruição da mesquita de Ayodhya [obra de nacionalistas hindus em 1992]. Mas o fato é que a Constituição da índia é secular e fornece uma verdadeira oportunidade de progresso económico de qualquer comunidade que possa oferecer talento. Por isso uma classe média muçulmana crescente está progredindo e em geral não manifesta os indícios de profunda ira que podem ser encontrados em muitos estados muçulmanos não-democráticos. Nos lugares onde está mergulhado em sociedades autoritárias, o Islã tende a tornar-se veículo de raivosos protestos — Egito, Síria, palestina, Arábia Saudita, Paquistão. Mas quando o Islã faz parte de uma sociedade pluralista e democrática, como na Turquia e na índia, por exemplo, as interpretações das pessoas de visão mais progressista têm a oportunidade de serem mais ouvidas, e existe um foro democrático onde podem lutar por suas ideias num ambiente mais igualitário.
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O homem mais rico da índia atualmente, que ocupa lugar elevado na lista de bilionários globais da revista Forbes, é um muçulmano indiano: Azim Premji, presidente da Wipro, uma das empresas de tecnologia mais importantes do país. Dêem aos jovens um contexto onde possam transformar a imaginação positiva em realidade; dêem-lhes um contexto em que quem tiver reivindicações possa entregá-las a um tribunal sem ter de subornar o juiz presenteando-o com uma cabra; dêem-lhes um contexto onde possam desenvolver uma ideia empresarial e se tornar a pessoa mais rica, mais criativa ou mais respeitada de seu próprio país, qualquer que seja sua origem; dêem-lhes um contexto no qual qualquer queixa ou ideia possa ser publicada no jornal; dêem-lhes um contexto em que qualquer pessoa possa candidatar-se a cargos no governo — e sabem o que acontece? Em geral, essas pessoas não querem explodir o mundo. Em geral querem participar dele.
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Um amigo meu, muçulmano do sul da Ásia, certa vez me contou a seguinte história: sua família indiana se separou em 1948, com metade indo para o Paquistão e a outra metade permanecendo em Bombaim. Quando ele cresceu, perguntou ao pai por que motivo a metade indiana da família parecia estar em melhor situação do que a metade paquistanesa. O pai respondeu:
"Meu filho, quando um muçulmano cresce na índia e vê um homem que mora numa grande mansão no alto da colina, diz: 'Papai, algum dia serei como esse homem.' E quando um muçulmano cresce no Paquistão, e vê um homem que mora numa grande mansão no alto da colina, diz: 'Papai, algum dia vou matar esse homem.'" Quem tem um caminho para tornar-se o Homem ou a Mulher, geralmente se concentra no caminho para a realização de seus sonhos. Quando não há caminho, a pessoa tende a concentrar-se em sua ira e em cultivar suas recordações/fantasiadas ao longo da historia. As pessoas que vivem nesses ambientes tendem a passar o tempo concentradas no que vão fazer e não em quem culpar.

 
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